Eu que sempre me senti sozinha,
agora sei o valor de ter comigo pessoas que me querem bem.
Pessoas que me fazem sentir melhor.
Sentir vontade de morrer.
Querer não mais querer.
Sem saber quem sou, sem saber quem serei.
Somos o que fazemos para mudar o que fomos, sem deixar de ser o que somos.
E no final nada somos, nada fomos, nada seremos.
Na busca imperfeita da perfeição.
Esquecemos que perfeito é cada momento, cada amanhecer.
Cada lágrima, cada sorriso.
Cada esperança frustrada, cada realização alcançada.
Sonhos bem sonhados, dias mal vividos.
Olhares atentos para um futuro que pode não chegar.
Lembranças de um passado que jamais irá voltar.
Esquecemos do hoje.
Esquecemos do que somos.
Quereres mal quistos.
Podemos ver, porém não vemos o que muitas vezes está em baixo dos nossos narizes.
Dias esperando pela noite.
Noites chorando por dias de espera.
Em meio ao desespero, a solução.
Em meio a solução, apenas mais problemas.
E no meio de tudo, vidas mal vividas, soluções mal resolvidas.
Sujeitos infelizes.
Pessoas chorando pelos dias de felicidade e
sorrindo pelos dias de angústia.
A questão é que sempre esperamos por aquilo que já
está ao nosso lado.
Lutamos para alcançar aquilo que já temos em nossas mãos.
Sonhando com uma realidade vivida, porém esquecida.
Sorrindo para não chorar, chorando de tanto sorrir.
O meu sorriso é apenas a máscara que esconde toda a tristeza que me habita.
Todo choro que não quero derramar, está guardado dentro de mim.
Um dia ele sairá, porém então, talvez seja tarde.
E se for tarde, que seja, já não se pode mais voltar.
Não há como deixar de seguir.
Essa viajem recebemos apenas uma passagem, a de ida.
Depois de embarcar, não há como voltar.
Não há como deixar de ser.
Não há como parar de lutar, ou talvez até se possa parar,
porém, talvez para nunca mais recomeçar.
A questão é que cada escolha nos traz consequências que levaremos pelo resto de nossas vidas.
Ou que talvez, serão apenas consequências, de uma vida na qual não se sabe de onde se vem,
onde se está, e nem onde se vá parar.
A única saída é se deixar levar e ver onde se vai chegar.